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Inverno rígido aquece debate sobre mudança climática

Conforme milhões de pessoas ao longo da Costa Leste se recolhem em suas casas envoltas em neve, os dois lados do debate da mudança climática aproveitam o rígido inverno para reforçar seus argumentos.

Os céticos do aquecimento global usam as nevascas recordes para zombar daqueles que alertam sobre uma perigosa mudança do clima gerada pelos humanos - isso mais parece um esfriamento global, eles dizem.

A maioria dos cientistas de clima responde que as tempestades de neve são consistentes com previsões de que um planeta em aquecimento irá gerar eventos climáticos mais frequentes e mais intensos.

Mas alguns especialistas independentes dizem que os temporais não provam que o planeta está esfriando assim como a falta de neve em Vancouver ou as chuvas no sul da Califórnia não provam que ele está esquentando.

Talvez não seja coincidência que o debate aconteça diante de recentes controvérsias sobre o clima: nos últimos meses, críticos do aquecimento global atacaram um relatório do Painel Intergovernamental para Mudança do Clima da ONU, de 2007, e afirmaram que emails e documentos apreendidos no servidor de um centro de pesquisas sobre o clima na Inglaterra aumentavam as dúvidas sobre a integridade de alguns cientistas da área.

Nessa semana, Rush Limbaugh e outros comentaristas conservadores deram pouca importância ao fato do anúncio da criação de um novo serviço de clima federal feita na segunda-feira ter que ser realizado através de chamada em conferência, ao invés de uma coletiva de imprensa, porque o prédio do governo federal foi fechado pela nevasca.

Mas cientistas do clima dizem que nenhum episódio único de clima severo pode ser culpado por tendências globais, ressaltando a evidência de que tais eventos se tornarão mais frequentes provavelmente por causa da elevação da temperatura global.

Um relatório federal divulgado no ano passado, que pretendia ser uma declaração autoritária sobre as tendências do clima nos Estados Unidos, apontou à probabilidade de nevascas mais frequentes no norte e menos frequente no Sul e Sudeste como resultado de uma mudança nos padrões de temperatura e precipitação a longo prazo.

O relatório também projetou seca mais intensa no Sudoeste e furacões mais potentes na Costa do Golfo. Em outros palavras, se os cientistas do governo estiverem corretos, aguarde mais neve.

http://ultimosegundo.ig.com.br/new_york_times/2010/02/11/inverno+rigido+aquece+debate+sobre+mudanca+climatica+9394706.html

Recuperação na camada de ozônio pode aumentar aquecimento global

A recuperação do buraco da camada de ozônio é considerada uma grande vitória para os ambientalistas. Mas um novo estudo científico afirma que existe pode existir um lado negativo: seu reparo pode contribuir para o aquecimento global.

Acontece que o buraco causava a formação de nuvens úmidas e claras que protegiam a região antártica do aquecimento causado pelos gases de efeito estufa nas últimas duas décadas, pesquisadores afirmaram na última edição da revista Geophysical Research Letters.

“A recuperação do buraco vai reverter esse fenômeno,” diz Ken Carslaw, professor de ciência atmosférica na Universidade de Leeds e coautor do estudo. “Em resumo, ela vai acelerar o aquecimento em determinadas partes do hemisfério sul.”

O buraco na camada de ozônio, descoberto na Antártida em meados da década de 80, causou preocupação porque a camada desempenha um papel crucial na proteger os seres vivos do planeta contra a radiação ultravioleta.

Sua causa foi, em grande parte, pelo uso humano de clorofluorcarbonetos, compostos químicos usados em refrigeradores e latas aerossol que dissipam ozônio. A adoção de um protocolo internacional em 1987 fez com que muitos países abandonassem gradualmente essas substâncias, o que ajudou a camada a se reconstituir em cima da Antártida.

Para essa pesquisa, os autores do novo estudo se debruçaram sobre dados meteorológicos documentados entre 1980 e 2000, incluindo as velocidades mundiais de ventos,  registradas pelo Centro Europeu de Previsões Meteorológicas de Médio Prazo (ECMWF).

Os dados mostram que o buraco gerava ventos de alta velocidade que faziam com que sal marinho entrasse na atmosfera, formando nuvens mais úmidas. Essas nuvens refletem mais luz solar, o que ajudava a evitar o aquecimento na atmosfera antártica, dizem os cientistas. A dispersão de água do mar, causada por estes ventos, resultava num aumento nas gotículas de nuvens de cerca de 46% em algumas regiões do hemisfério sul, disse o Dr. Carslaw.

Mas Judith Perlwitz, professora da Universidade do Colorado e pesquisadora da NOAA (Agência Nacional Atmosférica e Oceânica dos EUA) diz questionar os resultados do estudo, embora os dados empregados pareçam sólidos.
Mesmo com a recuperação da camada de ozônio, espera-se que as emissões de gases de efeito estufa aumentem, ela disse. Assim, a professora prevê que o aumento na temperatura deva causar os ventos a aumentar sua velocidade e ter o mesmo efeito formador de nuvens que o buraco hoje tem. “A questão é ver se o vento está mais lento, o que eu duvido,” disse.

“O futuro não é determinado apenas pela recuperação da camada de ozônio,” afirma. “Nós também estamos aumentando nosso uso de gases de efeito estufa, o que aumenta a velocidade do vento ao longo do ano.” 
A professora também ressaltou que o buraco na camada de ozônio não deve se recuperar completamente antes de 2060, segundo o relatório mais recente da Organização Metereológica Mundial.

http://ultimosegundo.ig.com.br/new_york_times/2010/01/26/recuperacao+na+camada+de+ozonio+pode+aumentar+aquecimento+global+9377025.html

Países podem perder 19% do PIB em adaptação ao aquecimento, diz estudo

As mudanças climáticas podem abocanhar até 19% do Produto Interno Bruto (PIB) dos países afetados por calamidades meteorológicas no ano de 2030, de acordo com um estudo patrocinado pelas Nações Unidas divulgado nesta segunda-feira.
O relatório Modelando um Desenvolvimento Resistente ao Clima do Grupo de Trabalho para a Economia de Adaptação ao Clima, que reúne diversas instituições e tem financiamento da ONU, afirma que entre 40% e 68% das perdas econômicas previstas podem ser evitadas aplicando-se imediatamente medidas de adaptação já existentes.
O documento apresenta ainda uma metodologia para calcular o custo da adaptação em qualquer país, que foi aplicada aos casos da China, Estados Unidos, Guiana, Mali, Grã-Bretanha, Samoa, Índia, e Tanzânia.
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"Os países precisam planejar a sua adaptação com muito mais rigor, objetividade e urgência do que foi feito até aqui", afirma o economista britânico Nicholas Stern no prefácio do estudo.
"Devemos às populações mais vulneráveis do planeta reunir o melhor apoio possível para reforçar a sua capacidade de adaptação."
Entre as soluções "boas, bonitas e baratas" para adaptação às mudanças climáticas propostas no documento de 147 páginas estão melhorias no sistema de drenagem e escoamento de águas, a construção de barreiras para o mar e regulamentações mais rígidas para construções.
Entre os países estudados pelo grupo de trabalho, o mais afetado pelo aquecimento global seria a Guiana, que perderia 19% do seu PIB anual em 2030 para enfrentar as graves consequências de enchentes.

Mau tempo à vista

Já o Estado americano da Flórida, vulnerável a furacões e tempestades, perderia 10% do seu PIB por causa do mau tempo em 2030.
De acordo com o relatório, o aumento na atividade de furacões e tempestades deverá aumentar as despesas com este tipo de problemas em cerca de US$ 33 bilhões por ano em 2030.
O grupo de trabalho que produziu o documento é composto pela ONU, pela seguradora Swiss Re, pela consultoria McKinsey & Company, pela rede ambiental ClimateWorks, pela Comissão Europeia, pela Fundação Rockefeller, e pelo banco Standard Chartered.
O estudo foi divulgado menos de três meses antes da conferência da ONU sobre o clima, que acontece em dezembro, em Copenhague, na Dinamarca. A conferência deve discutir um substituto para o Protocolo de Kyoto, que estabelece metas de redução dos gases causadores do efeito estufa e é válido até 2012.
O financiamento da adaptação às mudanças climáticas nos países mais pobres do mundo também deve ser um dos principais temas do encontro.
Há algumas semanas, outro estudo afirmou que os custos de adaptar o planeta às mudanças climáticas provavelmente serão duas a três vezes mais altos que os previstos pela Convenção das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC, na sigla em inglês) em 2007.
Clique Leia também: Clique Adaptação às mudanças climáticas vai custar até 3 vezes mais, diz relatório
O estudo acadêmico realizado pelo Instituto Internacional para Meio Ambiente e Desenvolvimento (IIED, na sigla em inglês) diz ainda que o custo total pode subir muito mais se forem levados em conta os impactos de outras atividades humanas.
Em 2007, a convenção da ONU sobre clima estimou o custo de adaptação à mudança climática no ano 2030 entre US$ 49 bilhões e US$ 171 bilhões por ano. Bem mais que a metade desse valor teria de ser aplicado em países em desenvolvimento.

http://www.uai.com.br/UAI/html/sessao_4/2009/09/14/em_noticia_interna,id_sessao=4&id_noticia=127361/em_noticia_interna.shtml

Aquecimento global parece adiar nova era do gelo, diz estudo

O aumento na emissão de gases causadores do efeito estufa por humanos parece ter encerrado uma diminuição natural na temperatura de verão do Ártico que acontecia há muitos anos, revelam os autores de um novo estudo.

Cientistas envolvidos no trabalho, que será publicado nesta sexta-feira no jornal Science, dizem que isso oferece evidências de que a atividade humana não está apenas esquentando o globo terrestre, particularmente o Ártico, mas também poderia estar adiando o que seria uma inevitável era de gelo prevista para acontecer nos próximos milênios.

A reversão da tendência de diminuição lenta das temperaturas no Ártico, registrada em amostras de lama do leito de lagos, gelo glacial e anéis de árvore do Alasca até a Sibéria, foi rápida e pronunciada, diz a equipe.

Estudos anteriores também mostraram que o Ártico, mais que o planeta como um todo, tem passado por um aquecimento incomum nas últimas décadas. A nova análise provê detalhes década por década sobre as tendências de temperatura dos últimos 2.000 anos - um período cinco vezes maior do que qualquer trabalho prévio.

Diversos cientistas do clima disseram que o novo estudo é mais significativo por mostrar com que potência o clima Ártico parece estar respondendo ao aumento nas emissões de gases causadores do efeito estufa que está tendo uma resposta mais complexa e de efeitos sútis no resto do planeta.

Darrell S. Kaufman, principal autor do estudo e especialista em clima da Universidade do Norte do Arizona, disse que a maior surpresa foi a força da mudança do esfriamento para o aquecimento que começou em 1900 e se intensificou depois de 1950.

"A tendência de resfriamento lento é trivial comparada ao aquecimento que tem acontecido e este é o ponto final", disse Kaufman.

Diversos cientistas que não estiveram envolvidos com o estudo concordaram que o ritmo da reversão de temperatura excedeu em muito a variabilidade natural em temperaturas árticas, apoiando a ideia de que o aquecimento foi causada pelos humanos e é potencialmente prejudicial.

De acordo com o estudo, depois de um esfriamento lento de menos de meio grau Fahrenheit por milênio, causado por uma mudança cíclica na orientação do Pólo Norte e do sol, a região esquentou 2,2 graus apenas desde 1900, com a década entre 1998 e 2008 sendo a mais quente em 2.000 anos.

http://ultimosegundo.ig.com.br/new_york_times/2009/09/04/aquecimento+global+parece+adiar+era+de+gelo+diz+estudo+8261947.html

Aquecimento está encolhendo ovelhas na Escócia, diz estudo

Uma pesquisa britânica sugere que o aquecimento global está causando o encolhimento de um tipo de ovelha selvagem na Escócia. Os pesquisadores do Imperial College, em Londres, vinham estudando, desde 1985, a ovelha Soay, comum na ilha de Hirta, no arquipélago remoto de St.Kilda.
Em 2007, os cientistas divulgaram que o tamanho dos animais havia diminuído em média 5% - as pernas ficaram menores e o peso do animal teria caído.
No estudo, publicado na edição desta semana da revista científica Science, os pesquisadores explicam que esse fenômeno estaria relacionado com a mudança climática, já que os invernos menos rigorosos estariam ajudando ovelhas menores a sobreviver, resultando no que os cientistas chamam de uma “redução paradoxal de tamanho”. “No passado, apenas as ovelhas e bezerros maiores e mais saudáveis que haviam acumulado peso durante o primeiro verão poderiam sobreviver ao inverno rigoroso de Hirta”, disse Tim Coulson, que coordenou o estudo.
Ele explica que, por conta do aquecimento global, o capim para alimentação dos animais está disponível por um período maior de tempo nas ilha. “As condições de sobrevivência não são tão desafiadoras – até mesmo as ovelhas que crescem mais lentamente têm a chance de sobreviver, e isso significa que animais menores estão se tornando cada vez mais predominantes na população”, disse Coulson.
Para chegar aos resultados, os pesquisadores usaram uma fórmula criada pelo teórico evolucionista George Price para prever como um traço físico, como o tamanho do corpo, por exemplo, poderia mudar de uma geração para a outra.
Com base nessas informações, os cientistas puderam “reformular a equação” de Price e usá-la para descobrir o impacto de fatores externos no tamanho das ovelhas.
O grupo identificou que o meio ambiente local tinha um impacto maior nos animais do que a pressão evolutiva para aumentar de tamanho.
Mãe jovem
O grupo de cientistas também identificou que as ovelhas mais jovens tendem a dar à luz a bezerros menores – um fenômeno chamado por eles de “efeito da mãe jovem”.
Coulson afirma que esse fenômeno, combinado com as mudanças no meio ambiente “suprimiu o que poderíamos esperar da seleção natural”.
Os cientistas acreditam que o tamanho das ovelhas continuará diminuindo no futuro. “O próximo passo será ampliar nossa descrição sobre uma mudança que ocorreu no passado para um modelo de projeção”, disse Coulson. Ele conclui que ainda é cedo para afirmar se o tamanho dos animais irá reduzir tanto que as ovelhas poderão “caber no bolso” dentro de 100 anos.

http://www.uai.com.br/UAI/html/sessao_8/2009/07/03/em_noticia_interna,id_sessao=8&id_noticia=117279/em_noticia_interna.shtml