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HOUSTON - O olfato de um cão farejador ajudou a colocar Curvis Bickham na prisão por oito meses. Agora que o caso contra ele foi derrubado, Bickham quer que o mundo saiba que esta técnica de investigação não funciona.
Ronald Curtis na casa de parentes em Houston
A polícia acusou Bickham de triplo homicídio porque um cão farejador o apontou em meio a um grupo de suspeitos.
Os cães são expostos ao cheiro de objetos encontrados na cena de um crime e então levados a uma série de recipientes com amostras pinceladas de suspeitos e de outras pessoas não envolvidas no crime.
Se o cão encontrar um recipiente com um cheiro parecido com o da cena do crime, ele avisa - endurecendo o corpo, latindo ou dando algum outro sinal de alerta.
O olfato dos cães há muito é usado para localizar pessoas e a polícia confia neste sentido dos animais para detectar drogas e explosivos, e para encontrar os corpos de vítimas de crimes e acidentes.
Porém, a análise do cheiro em recipientes é diferente. Os críticos dizem que a probabilidade de contaminação do odor é grande demais e que os procedimentos são raramente controlados.
Os métodos do treinador de cães farejadores no caso de Bickham e outros, estão sob ataque.
O treinador, Keith Pikett, vice-xerife do Condado de Fort Bend, Texas, é "um charlatão", de acordo com Rex Easley, advogado da cidade Victoria, que representa um homem falsamente acusado pela polícia de ter assassinado seu vizinho.
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Bickham acusado de triplo homicídio, em Houston
Pikett, segundo o advogado, "inventou um truque duvidoso com os cães para justificar as 'desconfianças' das agências policiais locais" na hora de emitir mandados de busca e apreensão.
Pikett trabalha como consultor para as agências penais do Texas, usando cães de briga treinados por ele mesmo em sua casa para vasculhar cenas de crime.
Em vários dos casos baseados em evidências fornecidas pelos cães farejadores de Pikett, a análise de cheiro em recipientes parece ser a evidência primária contra os acusados, mesmo quando havia evidência contraditória.
Bickham passou oito meses na prisão depois de ser identificado neste tipo de análise e até que outro homem confessasse os crimes.
Em uma entrevista, Bickham ridicularizou a acusação de que participou dos três assassinatos, notando que tem problemas nos ossos e diabetes, além de ser parcialmente cego.
Ronald Curtis, outro homem detido por causa dos cachorros de Pikett, foi libertado da prisão nove meses depois de ser acusado por uma série de roubos. Vídeos de uma das lojas roubadas mostraram que o assaltante não se parecia com ele.
Curtis e Bickham estão movendo processos civis por causa da forma como suas prisões foram estabelecidas.
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